A partir desta terça-feira (5), a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de estrangeiros no mercado de renda fixa brasileiro, passou de 2% para 4%. A medida visa interromper a valorização excessiva do real e foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.
De acordo com o professor de economia da FGV-EAESP, Evaldo Alves, essa é uma tentativa de defesa do governo contra a desvalorização do dólar.
“A crise, que atingiu mais duramente os países desenvolvidos, está provocando a desvalorização de suas moedas. A consequência é um arrastão cambial em virtude de muitos países terem suas moedas vinculadas ao dólar ou ao euro. Os investidores externos buscam alternativas estáveis de investimentos em países que estejam imunes às turbulências e com perspectivas de crescimento econômico. O Brasil é um dos alvos desses investimentos”.
Alves afirma também que o aumento da alíquota do IOF não atinge os investimentos de brasileiros aqui ou no exterior nem as aplicações na bolsa. “A medida do governo também não atinge os Investimentos Diretos Estrangeiros. O corretivo foi direcionado especificamente para as aplicações em Renda Fixa”, acrescenta o economista.
Sobre a tendência para os próximos meses, Alves acredita que a cotação da moeda americana continuará caindo. “A tendência é de desvalorização do dólar por conta da crise e dos ajustes que a economia americana está fazendo. A recuperação a níveis anteriores a 2008 vai demorar alguns meses, sinalizando, portanto, uma tendência de queda da moeda norte-americana por mais algum tempo. Como a medida corretiva foi aplicada agora em outubro, é preciso aguardar a resposta da economia para este remédio. Caso não surta o resultado esperado até o início do ano que vem, provavelmente, serão necessários outros instrumentos de ajuste econômico.”
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